EAD ganha cenário mais significativo na Educação Superior

TERRA • 26 de agosto de 2019

Após anos seguidos ganhando relevância em números, a Educação Superior a Distância (EaD) no Brasil começa a buscar um posicionamento de mercado que passa a diferenciá-la da Educação Superior Presencial. Com o crescimento exponencial das matrículas - saltaram de 60 mil em 2014 para 1,5 milhão ano passado -, cresceu também o número de Instituições de Ensino Superior credenciadas e de polos para atendê-las. Um movimento que criou um ecossistema que necessita de controle e de avaliação diferenciadas.

Apesar de ser um mercado tão regulado quanto a presencial, a EaD tem características peculiares, mais modernas e atuais. E, por ser voltada ao atendimento do aluno como cliente, demanda indicadores que vão além do ENADE e do MEC.

Os gestores mais ortodoxos dos segmentos de negócios mais variados defendem que o segmento não pode ser medido ou avaliado e nem sequer ter valor de mercado. Mas eis que surge um ranking privado que decorre de uma iniciativa de empresas associadas a EaD no Brasil. O EAD Ranking é resultado de uma parceria entre o Canvas, a Rede Rankintacs, a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), a Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) e o Grupo Gestão RH.

Como, todos os rankings, este também pode ser alvo de críticas. Por exemplo, este conta com um fornecedor de plataforma participando da indicação dos melhores cursos. Contudo, é preciso se perguntar: quem melhor do que especialistas em ambiente EaD para avaliar a usabilidade dos conteúdos desenvolvidos e publicados? Quem melhor do que uma empresa
de outplacement para indicar quais temas e conteúdos atendem o escasso e competitivo mercado de trabalho.

A pontuação que ranqueia os cursos leva em conta a popularidade do programa para os empregadores; avaliação feita por tutores, que são os professores online e coordenadores de diversas instituições; além de efetividade dos recursos tecnológicos utilizados no programa, e a relação de número de alunos por tutor.

Foram avaliados centenas de programas, desde qualificações profissionais como Assistente Administrativo do Sistema S, até graduações como o curso de Licenciatura em Letras da Uninassau com sede em Pernambuco; e o grande campeão na classificação geral, a pós-graduação em Gestão Pública da FECAP, com sede em SP.

É uma avaliação, porém, que segue o exemplo de outros rankings que existem na Educação Superior, como o do Guia do Estudante da Abril Educação. Ele dá estrelas para os cursos que têm seus questionários preenchidos pelas próprias instituições e as avaliações não checam se o que está escrito é real, ou seja, não leva em conta a experiência de uso. No entanto, no EAD o que vale é a experiência de uso. Um aluno desconfortável na plataforma, sem atividades motivadoras e sem ver valor agregado ao seu programa, seja de graduação, pós-graduação ou extensão, vai evadir.

Críticas à parte, é preciso observar que o mais importante nos rankings é a luz que traz ao segmento que classifica, dando visões, trazendo leituras e interpretações, permitindo que os candidatos avaliem e escolham seus cursos. O mercado já demonstra que a EaD é o caminho. Agora é possível perceber as melhores opções.

Cesar Silva é presidente da Fundação FAT (Fundação de apoio à Tecnologia)

Notícia publicada no site TERRA, em 23/08/2019, no endereço eletrônico: https://bit.ly/2MEoZtk


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