Plano de ensino não presencial para rede pública do DF prevê aulas pela TV e entrega de material impresso enquanto durar pandemia

G1 • 03 de junho de 2020

Escola pública do Distrito Federal — Foto: Mary Leal/Secretaria de Educação

A Secretaria de Educação do Distrito Federal concluiu o plano de validação das atividades pedagógicas não presenciais para os estudantes da capital. O texto, entregue na última sexta-feira (29) para o Conselho de Educação, estabelece como fica o ensino na rede pública enquanto durar a pandemia do novo coronavírus.

"O plano buscou promover a equidade e a igualdade de condições a todos os estudantes, prevendo o acesso por meio de plataforma digital, de teleaulas e de materiais impressos", diz o documento.

As aulas estão suspensas no DF desde o dia 11 de março. Para ampliar as possibilidades de acesso dos alunos ao conteúdo, a Secretaria de Educação contratou quatro emissoras de televisão, com sinal aberto. Os canais irão transmitir teleaulas de 30 minutos, ao vivo, com professores e servidores da pasta.

De acordo com o plano de validação das atividades pedagógicas não presenciais, as atividades em casa poderão ser disponibilizadas tanto nas salas de aula virtuais da plataforma Escola em Casa DF (Google Educação), quanto por meio de material físico como livros e/ou atividades impressas.

"O Google Sala de Aula, em uso pelo Ensino Médio, será estendido a todas as etapas e modalidades. Estudantes e professores terão pacotes de dados gratuitos", explica a secretaria.

"Caberá aos professores desenvolveram atividades pedagógicas não presenciais, tanto para disponibilizá-las nas salas de aula virtuais quanto por meio de material impresso, destinado a estudantes que não tiverem acesso", diz o documento. O texto aponta ainda que, para elaborar o material impresso, as escolas atuarão em parceria com as unidades de educação básica (Uniebs), vinculadas às coordenações regionais de ensino.

A periodicidade, a organização da entrega e a retirada das atividades serão definidas pelas escolas. "Em princípio, essas atividades impressas serão destinadas aos estudantes que não têm acesso às plataformas digitais", diz a secretaria.

A frequência escolar será computada por meio da entrega de atividades on-line ou impressas, para os casos de estudantes que não tenham acesso a meios digitais.

O plano ficou em consulta pública de 20 a 27 de maio. Ao todo, a Secretaria de Educação recebeu 1.383 mensagens de professores, estudantes, pais, mães e gestores. Conforme a pasta, "o texto entregue ao conselho foi aprimorado com as contribuições das comunidades escolares, especialmente as Uniebs".

Uma portaria deve ser publicada, nos próximos dias, para definir os critérios de atuação no ensino não presencial. No entanto, segundo o governo, os profissionais que estão nos grupos de risco irão atuar "estritamente em atividades remotas".

Atividades em casa

As teleaulas, transmitidas pelas quatro emissoras de televisão, serão apresentadas e produzidas por professores da Secretaria de Educação, de segunda a sexta-feira, nos três turnos (veja horários abaixo). "Também será contratado um estúdio para ministrar as teleaulas e um serviço de edição da programação veiculada ao vivo, para disponibilização no Youtube e na plataforma Google Sala de Aula", explica o plano.

As teleaulas são destinadas à Educação Infantil, ao Ensino Fundamental, à Educação Especial e à Educação de Jovens e Adultos (EJA). As transmissões à noite serão exclusivamente para a EJA.

Até a publicação desta reportagem, três canais de televisão já transmitiam teleaulas da rede pública de ensino do DF:

  • TV Justiça
  • TV União
  • TV Gênesis

A TV Justiça começou a exibir as teleaulas no dia 6 de abril. Os conteúdos da primeira semana de transmissão foram produzidos pelo Canal E, a produtora de vídeos educacionais da Secretaria de Educação do DF.

Programação das videoaulas da rede pública do DF — Foto: SEEDF/Divulgação

As escolas deverão manter plantões para atendimento remoto aos estudantes. "Eles poderão ser feitos pela plataforma ou outro canal, conforme as condições e especificidade de cada uma", aponta o documento.

Retomada das aulas presenciais em agosto

O governador Ibaneis Rocha (MDB) disse no último sábado (30), que pretende retomar as aulas nas instituições de ensino do Distrito Federal em agosto. Segundo ele, o GDF trabalha com a previsão de que o pico do contágio do coronavírus na capital deve ocorrer em julho.

"Depois disso, deve voltar tudo ao normal", disse o governador.

No dia 7 de maio, Ibaneis já havia dito que o retorno das aulas presenciais em agosto "agradava".

Governador do DF, Ibaneis Rocha — Foto: TV Globo/Reprodução

Pais só querem retorno a partir de julho

Uma pesquisa realizada pelo Sindicato de Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe-DF) mostra que pais e responsáveis por alunos estão receosos quanto à volta às aulas em meio à pandemia. Segundo o levantamento, 79% dos entrevistados quer ter a opção de manter o filho em casa mesmo com o retorno das atividades.

Ainda de acordo com a pesquisa, 70% não desejam a volta às aulas antes de julho. A maioria também quer um retorno gradual das atividades.

Plano de volta às aulas no DF

Mesmo sem uma data exata para o retorno do funcionamento das escolas, a Secretaria de Educação do DF elaborou um plano para a volta às aulas. Entre as medidas previstas estão:

  • Retorno gradual dos alunos
  • Horários diferentes para entrada e saída dos alunos
  • Horários diferenciados para o lanche
  • Aferição da temperatura dos estudantes ao entrar na escola
  • Desinfecção dos calçados e mochilas
  • Distanciamento entre os estudantes dentro da sala de aula
  • "Ensino híbrido": metade do período presencial e outra metade online

Notícia publicada no site G1, em 02/06/2020, no endereço eletrônico: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2020/06/02/plano-de-ensino-nao-presencial-para-rede-publica-do-df-preve-aulas-pela-tv-e-entrega-de-material-impresso-enquanto-durar-pandemia.ghtml


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