Perda com evasão escolar é de R$ 214 bilhões por ano

REVISTA EDUCAÇÃO • 30 de julho de 2020

Fonte da Notícia: REVISTA EDUCAÇÃO

Data da Publicação original: 29/07/2020

Publicado Originalmente em: https://revistaeducacao.com.br/2020/07/29/evasao-escolar-anual/

Íntegra da notícia abaixo:

O dilema da evasão escolar frente aos concursos públicos

A cada jovem que não conclui a educação básica, o Brasil perde R$ 372 mil anualmente, totalizando R$ 214 bilhões, ou 3% do PIB anual. Esse é o resultado do estudo divulgado em julho, Consequências da Violação do Direito à Educação, parceria da Fundação Roberto Marinho com o Insper e cujos dados alertam que a evasão escolar não pode ser deixada para trás.

“Como a gente gasta cerca de R$ 90 mil para cada jovem percorrer seus 14 anos de educação básica, nós estamos falando que o custo dele não concluir esse projeto é quatro vezes maior do que se ele concluir”, alerta o economista que conduziu o estudo e professor titular do Insper, Ricardo Paes de Barros.

Mantido o ritmo atual, 17,5% dos brasileiros que hoje têm 16 anos não completarão a educação básica Em resumo, a pesquisa mediu o custo social total de cada jovem sem educação básica em quatro dimensões: empregabilidade e remuneração dos jovens; efeitos que a remuneração dos jovens têm para a sociedade, que são chamadas externalidades; longevidade com qualidade de vida e violência.

Inicialmente, foi calculado quantos jovens não concluirão a educação básica. Depois, quais seriam as consequências, em valores monetários, por jovem nas quatro dimensões. Por fim, estimou o custo total para o país.

Segundo o estudo, tal feito ocorre porque os adolescentes que têm a educação básica completa passam, em média, mais tempo de sua vida produtiva ocupados em empregos formais, com maior remuneração; têm maior expectativa de vida com qualidade – aliás, estima-se que cada jovem com educação básica viverá quatro anos de vida a mais que um adolescente que não terminou a escolaridade; e tendem a ter um menor envolvimento em atividades violentas, como homicídios. Em outras palavras, o cálculo é que a evasão representa uma perda de 26% do valor da vida de um jovem. Ao mesmo tempo, quanto maior a taxa de escolarização, o aumento da cultura de paz tende a crescer.

Preocupação redobrada

A saber, Ricardo Paes de Barros alerta que devido à pandemia, 24% dos adolescentes de 15 a 17 anos que estão na escola pensam em não voltar.

Se esse era um problema grave [a evasão] antes da pandemia, após a pandemia temos que tomar cuidados redobrados para garantir que esses jovens voltem à escola”.

Para Paes de Barros, a maior parte da desigualdade educacional se dá dentro do ambiente escolar, daí a relevância das práticas pedagógicas. “É muito importante o atendimento individualizado dentro da escola, porque crianças aprendem em velocidades distintas e momentos diferentes. Se a gente não der um atendimento individualizado nós vamos gerar desigualdade dentro da escola”.

Nesse sentido, o economista conclui alertando sobre outra responsabilidade que precisa ser levada em conta, o Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação], “o qual mostra que precisamos equalizar os gastos públicos entre redes e escolas brasileiras”.


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