Direito: maior a procura e mais concorrência entre IES

REVISTA ENSINO SUPERIOR • 22 de junho de 2021

Fonte da Notícia: REVISTA ENSINO SUPERIOR
Data da Publicação original: 21/06/2021
Publicado Originalmente em: https://revistaensinosuperior.com.br/direito-aumenta-procura-e-concorrencia/

Dados do último Mapa do Ensino Superior no Brasil evidenciam que direito é o número um nas buscas pela internet entre 2017 e 2020, fato que pode responder o crescimento pela oferta do curso por parte das instituições de ensino superior privado. Atualmente, são mais de 1.600 opções: o maior número de cursos de graduação em direito no mundo, segundo o estudo Exame de Ordem em Números 2020, realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

No último ano, foram listadas 1.639 IES (públicas e privadas) na 31ª edição Exame de Ordem Unificado (EOU), com 117.214 inscritos no total, o que para a professora Fernanda Paes Leme, coordenadora do curso de direito da Ibmec RJ, possui aspectos positivos e negativos. “O lado positivo é a maior possibilidade de acesso ao ensino superior. Claro que há a discussão sobre se a qualidade é ideal, mas o aspecto mais importante é que se cumpre uma responsabilidade social. Em relação à concorrência, a gente combate oferecendo um curso com diferenciais.”, diz.

Referências, FGV e Ibmec estão tranquilas com a concorrência e evasão

O Ibmec RJ teve 230 alunos que realizaram o exame unificado em 2020, com 73 aprovados total. Junto com a FGV SP possui uma das mensalidades mais altas do mercado nesse curso, mas segundo a coordenadora, a graduação em direito no Ibmec é muito desejada pelo investimento que se faz nele e por possuir o melhor corpo docente do Rio de Janeiro.

Por lá, é oferecido aos estudantes a oportunidade de conhecer na prática, as atividades da profissão por meio do Núcleo de Práticas Jurídicas, cujo o escopo é o estágio supervisionado e assistência às necessidades da população em convênio com órgãos públicos. Dentro dele, também funciona o Núcleo de Mediação Voluntário, no qual o aluno pode participar desde o primeiro período, tendo contato com atendimentos reais. Além de valer como estágio, os núcleos também desenvolvem atividades de extensão.

Já na FGV SP, o diferencial está na metodologia. Roberto Dias, coordenador do curso de direito na instituição, diz que “a formação que se pretende na FGV é do aluno que vai se deparar com problemas complexos e vai ter todo o instrumental para resolver”. E a fama precede a instituição: a procura pelo curso lá é grande, chegando a 20 inscrições por vaga, revela Dias. Na OAB a qualidade também pode ser comprovada, diz ele: de 52 alunos que prestaram o exame, 35 foram aprovados.

Sobre a taxa de evasão do curso, as duas instituições falam que é ínfima, mas sem exatidão. Segundo o Mapa do Ensino Superior no Brasil, entre 20 cursos, direito é um dos que menos sofrem com a evasão, ficando em 15º lugar, com 27,6%. Em primeiro lugar está sistemas de informação com 37,6% e, em último, medicina com 6,8%.

Brasil dos advogados

No total, a OAB aprovou 117.214 novos advogados só em 2020, o que equivale a 92 novos profissionais por dia útil do ano. A pergunta que surge é o porquê do fascínio pela área jurídica. Aqui, tanto Dias quanto Paes Leme, concordam que a escolha pode ser influenciada pela imensa variedade de possibilidades de atuação na carreira, nos mais diversos ramos do direito, seja nos setores público ou privado.

Para Roberto Dias, fora o leque de opções, a remuneração também é um atrativo, além do destaque do judiciário na mídia nos últimos anos: “De 15 anos para cá, se fala muito em combate à corrupção. Tem sido mostrada a atuação do direito, a projeção que a mídia dá ao judicial, ao STF, etc. Gera uma divulgação que pode ser atrativa”, pondera.

Com a grande quantidade de novos profissionais habilitados diariamente, é de se esperar que não haja espaço para tantos advogados. Quanto a isso, Dias afirma que fazer um bom curso é o primeiro passo para poder ter uma boa colocação. “Mas sem dúvida tem uma massa enorme de pessoas que o mercado não vai conseguir absorver”, conclui.

Dos cursos de direito oferecidos no Brasil, 42,2% se concentram na região Sudeste; 20,5% Nordeste, 20% Sul; 10,6% Centro-Oeste e 6,7% na região Norte, conforme o Exame de Ordem em Números 2020.


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