A expansão desenfreada do setor mercantilista de educação

EXTRA CLASSE • 28 de dezembro de 2021

Fonte da Notícia: EXTRA CLASSE
Data da Publicação original: 28/12/2021
Publicado Originalmente em: https://www.extraclasse.org.br/educacao/2021/12/a-expansao-desenfreada-do-setor-mercantilista-de-educacao/

Maior grupo de educação superior privada do país, com mais de mil polos de EaD em 700 municípios e uma “carteira” que ultrapassa 1 milhão de alunos, a holding mineira Yduqs anunciou em um comunicado aos acionistas, no começo de novembro, o resultado do terceiro trimestre: lucro líquido de 72,8 milhões. O grupo revelou que dispõe de R$ 2 bilhões em caixa para aquisições de ativos de outras instituições para incrementar o seu ensino virtual e presencial. “Tem uma fila de pessoas oferecendo negócios, já que o momento de dificuldade é grande. Há muita coisa boa aparecendo”, afirma Eduardo Parente, CEO da companhia. O alvo: instituições de ensino superior endividadas, em crise ou falidas de norte a sul do país. A empresa de participações que tem em seu portfólio marcas como a Estácio de Sá e a Ibmec viu o preço-alvo das suas ações na bolsa de valores se valorizar de R$ 22,84 para R$ 38,00 depois que o resultado do período chegou ao conhecimento dos especuladores.

Em um mercado que acirrou a disputa por captação de alunos, aquisições e fusões, e migração para o ambiente virtual durante a pandemia, a holding, que em 2019 alterou a marca Estácio para Yduqs com os objetivos de “dedicar recursos em negócios já existentes” e “desenvolver novos negócios” é um caso exemplar da expansão desenfreada das empresas mercantilistas de educação.

O cenário é altamente competitivo, regido pelas leis de mercado, e ao mesmo tempo, ameaça a sobrevivência até de grandes instituições tradicionais e comunitárias de ensino. Nesse mar aberto para as grandes companhias com ações em bolsa, a lógica mercantilista vem antes do ensino, pesquisa e extensão, da autonomia docente, dentre outras diretrizes que norteiam uma educação de qualidade.

A batalha por conquistar mais alunos – eles são precificados e identificados como “ticket médio” nos balanços patrimoniais e a quantidade de novas matrículas é determinante para a valorização dos ativos das companhias – e abocanhar fatias cada vez maiores e diversificadas do “mercado” educacional impõe uma série de baixas para a educação e suas finalidades: a qualidade, a formação, a remuneração, condições de trabalho e direitos também entram como variáveis a serem neutralizadas.

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