Próximo a Haddad e número 2 do MEC: saiba quem é o favorito para assumir a pasta após a saída de Camilo Santana

O GLOBO • 05 de fevereiro de 2026

Fonte da Notícia: O GLOBO
Data da Publicação original: 04/02/2026
Publicado Originalmente em: https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2026/02/04/proximo-a-haddad-e-numero-2-do-mec-saiba-quem-e-o-favorito-para-assumir-a-pasta-apos-a-saida-de-camilo-santana.ghtml

O secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), Leonardo Barchini, é atualmente o nome mais cotado para assumir a pasta após a saída de Camilo Santana. O ex-governador do Ceará anunciou nesta terça-feira que vai deixar a Esplanada no começo de abril para atuar na campanha de reeleição do conterrâneo Elmano de Freitas (PT).

Formado em Direito, ele chegou à atual gestão do MEC em julho de 2024 substituindo a ex-governadora do Ceará Izolda Cela (PSB), que deixou o cargo para disputar a prefeitura de Sobral (CE) e, mesmo perdendo o pleito, não retornou ao ministério.

No entanto, essa não foi a primeira passagem dele no MEC. Entre 2011 e 2012, assumiu a chefia de gabinete do ministro, a chefia da Assessoria Internacional e a Diretoria de Programas na gestão de Fernando Haddad. Depois, seguiu com o atual ministro da Economia para a prefeitura de São Paulo, onde foi secretário municipal de Relações Internacionais e Federativas e chefe de gabinete do prefeito.

No final de 2022, Haddad recebeu de Lula a missão de montar uma equipe da área para a transição, e Barchini foi um dos convidados de um encontro de 50 pessoas para debater diretrizes para a área no novo governo petista.

Barchini é servidor público há pouco mais de 30 anos como analista em Ciência e Tecnologia sênior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e atuava como diretor da Organização de Estados Ibero-Americanos no Brasil (OEI) desde setembro de 2023 antes de entrar para o ministério.

Saída de Camilo

O ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou nesta terça-feira que deixará o governo em abril para atuar na campanha de reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT). Em entrevista à CNN, ele também afirmou que ajudará outros palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e descartou a possibilidade de ser lançado para concorrer ao Executivo no lugar de Elmano. A declaração foi feita em resposta à pressão feita por aliados por uma candidatura competitiva contra o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), principal nome da oposição.

— Eu não serei candidato a governador, essa é a minha decisão. Trabalharei muito para que o projeto no Ceará não haja descontinuidade e para garantirmos a reeleição do governador Elmano — disse, anunciando que a saída do cargo deverá acontecer no início de abril. — Voltarei ao Senado para ajudar o presidente Lula e estarei mais presente no meu estado e na região Nordeste, onde eu tenho uma relação muito boa com os governadores.

Ao ser perguntado sobre as dúvidas levantadas sobre o desempenho de Elmano nas pesquisas, que têm mostrado o governador empatado ou sendo derrotado por Ciro, o ministro disse que o petista tem "uma boa avaliação" e que pretende fazer "uma série de entregas ao longo do ano", incluindo investimentos na construção de um data center para o TikTok no estado. Durante a entrevista, Camilo também alfinetou Ciro, adversário com quem acumula atritos e trocas de acusações públicas.

— Enquanto os nossos adversários hoje no Ceará fazem fake news, nos agridem todos os dias, nós vamos sempre continuar trabalhando. A nossa resposta não vai centrar nessa baixaria que está acontecendo no estado. Vamos continuar trabalhando e entregando — respondeu.

No estado, que ocupa a posição de terceiro maior reduto eleitoral de Lula no Nordeste, Camilo é considerado um cabo eleitoral estratégico. Durante o pleito municipal em 2024, o ministro da Educação tirou duas semanas de férias para se dedicar à campanha de Evandro Leitão (PT) para a prefeitura de Fortaleza — único petista eleito para comandar uma capital na eleição passada. Ele começou a campanha atrás dos candidatos da direita, mas venceu o deputado federal bolsonarista André Fernandes (PL) no segundo turno.

Já para este ano, a última rodada da pesquisa Ipsos-Ipec, realizada em dezembro, reforçou as dificuldades de Elmano no estado ao mostrar Ciro na liderança da corrida estadual, com 44% das intenções de voto. O governador apareceu em seguida, com 34%. Ainda segundo o instituto, em um eventual segundo turno, o tucano, que já governou o Ceará entre 1991 e 1994, venceria o petista por uma diferença de dez pontos percentuais (49% a 39%).


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