ABRAFI • 04 de novembro de 2026
Fonte da Notícia: ABRAFI
Data da Publicação original: 04/11/2026
Publicado Originalmente em: https://www.abrafi.org.br/
*Por Paulo Chanan
Em um mundo cada vez mais conectado, a internacionalização deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade na trajetória de quem atua na educação superior. Conhecer outras realidades, compreender diferentes modelos de ensino e estabelecer conexões com instituições estrangeiras são experiências que ampliam a nossa visão de mundo e a capacidade de transformar a educação que oferecemos. Essa foi uma das principais lições que trouxemos da França, após uma imersão enriquecedora.
Entre 9 e 18 de outubro, participei da 8ª delegação internacional da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), a France Experience. A atividade reuniu 40 lideranças educacionais em uma programação que contemplou visitas a universidades, escolas de negócios, centros de pesquisa e organismos internacionais. Mais do que conhecer instituições de referência, observamos práticas, compartilhamos experiências e identificamos possibilidades concretas de cooperação e inovação.
Quando entramos em contato com outras culturas e formas de trabalhar, somos desafiados a questionar as nossas certezas. Percebemos que problemas semelhantes podem ser enfrentados por caminhos diferentes e que soluções desenvolvidas em outros contextos podem inspirar avanços em nossas instituições. Não se trata de importar modelos, mas de ampliar repertórios para construir respostas adequadas à nossa realidade.
Um dos momentos mais enriquecedores da missão ocorreu na sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ali tivemos acesso a análises e resultados de estudos sobre a educação básica e superior, incluindo informações ainda não publicadas, que permitiram compreender melhor a posição do Brasil em relação a outros países. Essa antecipação de conhecimento é particularmente valiosa para gestores educacionais, pois contribui para decisões mais bem fundamentadas e para a identificação de tendências que poderão influenciar o setor nos próximos anos.
Na Unesco, a experiência foi igualmente reveladora. Além de discussões sobre mobilidade acadêmica, reconhecimento internacional de diplomas e formação de professores, conhecemos estudos relacionados ao uso da inteligência artificial na educação superior que ainda estão em desenvolvimento ou em processo de divulgação. O debate evidenciou que incorporar tecnologias não significa simplesmente modernizar ferramentas, mas repensar metodologias, preparar docentes e preservar a dimensão humana do processo educativo.
As visitas às instituições de ensino também trouxeram aprendizados que dificilmente seriam alcançados apenas pela leitura de relatórios ou pela participação em eventos. Na SKEMA Business School, por exemplo, conhecemos uma proposta de formação voltada ao universo dos negócios absolutamente inovadora, com ambientes físicos únicos concebidos para aproximar o aprendizado das situações enfrentadas pelos profissionais no mundo do trabalho.
Mais importante do que reproduzir instalações sofisticadas é compreender a concepção pedagógica que orienta a sua utilização. Ao retornarmos ao Brasil, trouxemos referências que podem inspirar mudanças nos ambientes de aprendizagem, nas estratégias de ensino e na formação oferecida aos nossos estudantes.
Outra visita marcante foi ao Instituto Pasteur, referência internacional em pesquisa biomédica e dono de 10 prêmios Nobel, o último de Fisiologia e Medicina pela descoberta do vírus da imunodeficiência humana (HIV). Tivemos contato com a apresentação de pesquisas relacionadas à Chikungunya, onde ficou demonstrada a relevância do conhecimento científico para enfrentar desafios concretos de saúde pública. A experiência reforçou uma convicção: a aproximação entre instituições de ensino e centros de pesquisa é fundamental para estimular a inovação e ampliar a contribuição da educação superior para a sociedade.
Na Embaixada do Brasil em Paris, pudemos compreender melhor as perspectivas da cooperação educacional entre os dois países e conhecer organizações que atuam na aproximação entre universidades, estudantes, professores e pesquisadores. O contato com representantes da Conférence des Grandes Écoles e da Campus France deixou para todos nós da missão a existência de novos caminhos institucionais para ampliar a mobilidade acadêmica e construir parcerias duradouras.
A programação incluiu ainda experiências na Le Cordon Bleu, que é a mais antiga e uma das mais respeitadas escolas de culinária e gastronomia do mundo, além de atividades culturais. Cada encontro revelou uma dimensão diferente da formação, da pesquisa e da produção de conhecimento. E a própria vivência em Paris, cidade de extraordinária relevância histórica e cultural, contribuiu para ampliar nossa compreensão sobre a relação entre educação, ciência, arte e desenvolvimento.
É justamente essa diversidade que torna as missões internacionais tão importantes. Não voltamos apenas com informações sobre instituições estrangeiras. Voltamos com novas perguntas, ideias, contatos e possibilidades. Ao conversarmos com os demais integrantes da delegação, aprendemos também a compartilhar desafios e refletir coletivamente sobre como adaptar experiências às necessidades das instituições brasileiras.
Retornei da França com a certeza de que investir na formação internacional de lideranças é também investir no futuro das nossas instituições. Afinal, o conhecimento que adquirimos ao atravessar fronteiras só alcança seu pleno significado quando retorna conosco e se transforma em oportunidades para aqueles que são a razão maior do nosso trabalho: os estudantes brasileiros.